Deputado paraguaio “resgatou” e teria ajudado traficante de Dourados a fugir da Polícia Federal
Entre os principais pontos apontados pelo juízo estão a falta de emprego formal dos acusados e de justificativa para o patrimônio milionário; entre os bens, um avião monomotor que poderia contribuir com a fuga após o acusado ser colocado em liberdade, além da possibilidade de destruição de provas. E também a relação com o Comando Vermelho e autoridades do Paraguai.
“O grupo criminoso apresenta atuação internacional, centralizada na fronteira Brasil-Paraguai, com estrutura logístico-operacional permanente instalada no país vizinho, o que, ao que tudo indica, permitiu que RONALDO se esquivasse das autoridades locais, permanecendo foragido há quase um mês”, diz o juiz.
O magistrado deu detalhes de como foi a fuga de Ronaldo Mendes Nunes, que era monitorado pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai e estava pronto para ser capturado e entregue às autoridades brasileiras durante a Operação Sanctus, mas teria sido “resgatado” por um deputado paraguaio com relações com o narcotráfico.
“Quanto a RONALDO MENDES NUNES, relata a autoridade policial representante que o investigado estava na cidade de Pedro Juan Caballero/PY na data da deflagração, em residência já identificada pelos integrantes da SENAD do Paraguai sob monitoração para captura e posterior entrega às autoridades brasileiras, ocasião em que, segundo consta, foi “resgatado” nesta residência por um deputado paraguaio, supostamente envolvido com o narcotráfico internacional, que teria atuado junto ao SENAD do Paraguai para impedir a entrega de RONALDO à Polícia Federal do Brasil”, relata a decisão.
Segundo a Polícia Federal, Ronaldo segue foragido, sem notícia de que tenha voltado ao Brasil, evitando o cumprimento do mandado de prisão temporária expedido pela 3ª Vara Federal de Campo Grande contra o traficante.
“Segundo o MPF [Ministério Público Federal], são indícios que se somam aos demais, reforçando a ligação escusa do grupo criminoso com o poder político e com o narcotráfico internacional”, afirma o magistrado.
Operação Sanctus
De acordo com a Polícia Federal, as investigações começaram em outubro e identificaram os dois irmãos de Dourados com histórico de ligação em apreensões de drogas e lideranças de facções criminosas.
O grupo comandado pela dupla escondia drogas em pneus de caminhões de carga para despachar de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, para o interior do Paraná. Na sequência, a carga tinha o Rio de Janeiro como destino. Este método de operação estaria em utilização desde meados de 2014.
Os investigados utilizavam uma rede de pessoas e empresas para lavar o dinheiro do tráfico e faziam os depósitos em dinheiro vivo em terminais de autoatendimento. O esquema contava ainda com a ocultação patrimonial de empresas e imóveis com propriedade em nome de “laranjas” e “testas de ferro”.
Entre os envolvidos está a advogada Cristiane Maran Milgarefe da Costa, presa no dia da operação. Ela é apontada como amante de Hermógenes Aparecido e teria participado tanto das tratativas de transportes de drogas e pagamentos, além de ser ter seu nome utilizado na ocultação de bens e lavagem de dinheiro.
Cristiane teve revogada sua prisão domiciliar, mas com utilização de tornozeleira eletrônica, em decisão da 3ª Vara Federal de Campo Grande, publicada em 11 de janeiro. Os irmãos Aparecido e Ronaldo tiveram a prisão preventiva decretada no último dia 5 de janeiro.
A Justiça também autorizou a prorrogação por mais 30 dias das investigações da Operação Sanctus, para análise de documentos e eventuais diligências ainda em curso.
“Anote-se que a autoridade policial deverá dar prioridade às diligências ainda pendentes, dada a prioridade de tramitação do presente feito (RÉU PRESO)”, diz a decisão.
Fonte: O Jacaré
