{"id":7772,"date":"2024-10-16T12:48:19","date_gmt":"2024-10-16T16:48:19","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/?p=7772"},"modified":"2024-10-16T12:48:21","modified_gmt":"2024-10-16T16:48:21","slug":"saiba-por-que-a-pressao-12-por-8-passou-a-ser-considerada-alta-por-medicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/2024\/10\/16\/saiba-por-que-a-pressao-12-por-8-passou-a-ser-considerada-alta-por-medicos\/","title":{"rendered":"Saiba por que a press\u00e3o &#8217;12 por 8&#8242; passou a ser considerada alta por m\u00e9dicos"},"content":{"rendered":"\n<p>No in\u00edcio de setembro, milhares de m\u00e9dicos do mundo inteiro se reuniram em Londres, no Reino Unido, para participar do Congresso Europeu de Cardiologia. E uma das grandes novidades do evento foi a divulga\u00e7\u00e3o das novas diretrizes de hipertens\u00e3o, um documento que guia os crit\u00e9rios de diagn\u00f3stico e tratamento da press\u00e3o alta.<\/p>\n\n\n\n<p>O novo consenso entre especialistas da \u00e1rea simplifica alguns conceitos, introduz uma nova categoriza\u00e7\u00e3o dos pacientes e recomenda um tratamento mais intenso logo nos primeiros est\u00e1gios da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, as novas diretrizes europeias classificam como:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Press\u00e3o arterial n\u00e3o elevada: abaixo de 120 por 70 mil\u00edmetros de merc\u00fario (mmHg) &#8211; o popular &#8220;12 por 7&#8221;.<br>&#8211; Press\u00e3o arterial elevada: entre 120 por 70 mmHg e 139 por 89 mmHg (de 12 por 7 a &#8220;quase&#8221; 14 por 9).<br>&#8211; Hipertens\u00e3o arterial: maior que 140 por 90 mmHg (acima de 14 por 9).<\/p>\n\n\n\n<p>Vale destacar que esses n\u00fameros levam em conta a medida da press\u00e3o feita no consult\u00f3rio, por um especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o, os cardiologistas costumavam dividir esses \u00edndices em seis categorias: \u00f3timo(abaixo de 120 por 80 mmHg), normal (entre 120 por 80 e 129 por 84 mmHg), pr\u00e9-hipertens\u00e3o (entre 130 por 85 e 139 por 89 mmHg), hipertens\u00e3o est\u00e1gio 1 (entre 140 por 90 e 159 por 99 mmHg), hipertens\u00e3o est\u00e1gio 2 (entre 160 por 100 e 179 por 109 mmHg) e hipertens\u00e3o est\u00e1gio 3 (acima de 180 por 110 mmHg).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo os autores da diretriz, a simplifica\u00e7\u00e3o dos termos e a cria\u00e7\u00e3o de uma nova categoria cl\u00ednica &#8211; &#8220;press\u00e3o arterial elevada&#8221; &#8211; t\u00eam como objetivo intensificar o tratamento em est\u00e1gios iniciais, para que a press\u00e3o arterial fique dentro da meta especialmente entre pessoas com risco aumentado de doen\u00e7as cardiovasculares.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A nova categoria reconhece que as pessoas n\u00e3o passam de uma press\u00e3o arterial normal num dia para a hipertens\u00e3o no outro&#8221;, justifica Bill McEvoy, professor da Universidade de Galway, na Irlanda, e um dos autores do novo consenso.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Na maioria dos pacientes, h\u00e1 uma mudan\u00e7a gradual e constante [da press\u00e3o arterial]. Diferentes subgrupos, como por exemplo, aqueles que apresentam maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares, poderiam se beneficiar de um tratamento mais intensivo antes que a press\u00e3o arterial deles atinja o limite tradicional da hipertens\u00e3o&#8221;, complementa ele, num comunicado divulgado \u00e0 imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Rhian Touyz, professor da Universidade McGill, no Canad\u00e1, e outro respons\u00e1vel pelas novidades, acrescenta que &#8220;os riscos associados ao aumento da press\u00e3o arterial come\u00e7am quando os n\u00edveis da press\u00e3o sist\u00f3lica [o primeiro n\u00famero da f\u00f3rmula] ainda est\u00e3o abaixo de 120 mmHg&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>As novas classifica\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m alteram os esquemas de tratamento medicamentoso e os cuidados de estilo de vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Entre elogios e cr\u00edticas, um problema monumental<\/strong><br>O descontrole da press\u00e3o arterial \u00e9 o principal fator de risco por tr\u00e1s de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As doen\u00e7as cardiovasculares s\u00e3o as que mais matam no Brasil e no mundo. No nosso pa\u00eds, por exemplo, uma pessoa morre a cada 90 segundos por causa de algum problema no cora\u00e7\u00e3o ou nos vasos sangu\u00edneos&#8221;, estima o m\u00e9dico F\u00e1bio Argenta, membro do Conselho de \u00c9tica Profissional e do Comit\u00ea de Comunica\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A hipertens\u00e3o \u00e9 o principal fator de risco n\u00e3o apenas para infarto e AVC, mas tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada com insufici\u00eancia card\u00edaca, insufici\u00eancia renal, cegueira e at\u00e9 dem\u00eancia&#8221;, pontua o especialista.<\/p>\n\n\n\n<p>E \u00e9 curioso pensar como algo t\u00e3o relevante &#8211; e t\u00e3o frequente &#8211; n\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o e n\u00e3o \u00e9 visto como uma grande amea\u00e7a pela maioria das pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico Carlos Alberto Machado, assessor cient\u00edfico da Sociedade de Cardiologia do Estado de S\u00e3o Paulo (Socesp), calcula que quase 1,2 bilh\u00e3o de pessoas sofrem com a hipertens\u00e3o no planeta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O grande problema \u00e9 que mais da metade nem sabe que \u00e9 hipertensa. Entre aquelas que sabem, s\u00f3 metade faz o tratamento. E entre quem faz tratamento, apenas metade tem a press\u00e3o controlada&#8221;, resume o cardiologista.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o especialista, as mudan\u00e7as nas diretrizes europeias ajudam a chamar aten\u00e7\u00e3o para o aumento da press\u00e3o arterial, mesmo que ela ainda n\u00e3o tenha alcan\u00e7ado os \u00edndices compat\u00edveis com um quadro de hipertens\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Argenta informa que a SBC j\u00e1 estava trabalhando para renovar as diretrizes brasileiras de hipertens\u00e3o. O novo documento deve ser publicado no pa\u00eds durante o primeiro semestre de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As diretrizes de Europa e Brasil costumam andar juntas, ent\u00e3o h\u00e1 uma tend\u00eancia de que a nossa atualiza\u00e7\u00e3o siga pelo mesmo caminho&#8221;, adianta ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Precisamos levantar a bandeira de que o adequado n\u00e3o \u00e9 mais o 12 por 8. De agora em diante, \u00e9 preciso estar de 12 por 7 para baixo. Esse \u00e9 o novo normal&#8221;, complementa o cardiologista.<\/p>\n\n\n\n<p>O m\u00e9dico Luiz Bortolotto, diretor da Unidade de Hipertens\u00e3o do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor), em S\u00e3o Paulo, critica a cria\u00e7\u00e3o da categoria &#8220;press\u00e3o elevada&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A popula\u00e7\u00e3o e os pr\u00f3prios m\u00e9dicos podem ficar confusos. \u00c9 muito dif\u00edcil colocar na cabe\u00e7a das pessoas que uma press\u00e3o acima de 120 por 70 mmHg \u00e9 elevada e qual ser\u00e1 o impacto disso&#8221;, avalia ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A estratifica\u00e7\u00e3o de risco da press\u00e3o alta<\/strong><br>Mas o que todas essas mudan\u00e7as de crit\u00e9rios significam na pr\u00e1tica?<\/p>\n\n\n\n<p>Para aqueles que est\u00e3o com a press\u00e3o arterial n\u00e3o elevada, vida normal: n\u00e3o \u00e9 preciso fazer nada em espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para os hipertensos, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que \u00e9 necess\u00e1rio come\u00e7ar um tratamento medicamentoso, al\u00e9m de incentivar uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as no estilo de vida \u2014 sobre as quais falaremos adiante\u2014 para diminuir o risco de v\u00e1rios problemas de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para os que ca\u00edram na categoria &#8220;press\u00e3o elevada&#8221; \u2014quando os n\u00fameros ficam entre 120 por 70 e 139 por 89 mmHg\u2014, a recomenda\u00e7\u00e3o da nova diretriz \u00e9 passar pela chamada &#8220;estratifica\u00e7\u00e3o de risco&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, o m\u00e9dico vai avaliar uma s\u00e9rie de indicadores de sa\u00fade para estimar a probabilidade de o indiv\u00edduo sofrer algum desfecho cardiovascular mais grave (como infarto ou AVC).<\/p>\n\n\n\n<p>Na hora de fazer essa conta, os especialistas consideram quest\u00f5es como o diagn\u00f3stico de outras doen\u00e7as card\u00edacas ou a presen\u00e7a de outras enfermidades cr\u00f4nicas, como diabetes tipo 2, colesterol elevado, obesidade&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Se o risco de o paciente sofrer algum desfecho cardiovascular nos pr\u00f3ximos dez anos ficar abaixo de 5%, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 promover uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as de estilo de vida e reavaliar a press\u00e3o arterial em um ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, se esse risco superar os 10%, o documento europeu indica fazer as mudan\u00e7as de estilo de vida e, ap\u00f3s tr\u00eas meses, iniciar o tratamento medicamentoso para os indiv\u00edduos cuja press\u00e3o seguir acima de 130 por 80 mmHg.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para o grupo em que risco varia entre 5 e 10%, o m\u00e9dico deve considerar fatores relacionados \u00e0 etnia, sexo, depriva\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica, doen\u00e7as autoimunes, entre outros, para definir o melhor caminho &#8211; testar as mudan\u00e7as de estilo de vida por um ano ou fazer uma reavalia\u00e7\u00e3o ap\u00f3s tr\u00eas meses para checar a necessidade de entrar com os rem\u00e9dios.<\/p>\n\n\n\n<p>Manter-se no peso (ou emagrecer), adotar uma dieta variada e equilibrada, ter uma rotina regular de atividade f\u00edsica, n\u00e3o fumar, evitar bebidas alco\u00f3licas e reduzir o consumo de sal s\u00e3o as recomenda\u00e7\u00f5es cl\u00e1ssicas para baixar a press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a diretriz europeia trouxe duas novidades relevantes nessa seara. Primeiro, aumentar o consumo de alimentos ricos em pot\u00e1ssio &#8211; que, ao contr\u00e1rio do s\u00f3dio encontrado no sal de cozinha, abaixa a press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em segundo lugar, investir em treinamentos isom\u00e9tricos e de resist\u00eancia, como os exerc\u00edcios feitos na academia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Rem\u00e9dio em dobro para controlar a press\u00e3o?<\/strong><br>Outro destaque das novas diretrizes europeias envolve uma &#8220;intensifica\u00e7\u00e3o do esquema terap\u00eautico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na maioria dos casos, a orienta\u00e7\u00e3o \u00e9 j\u00e1 iniciar o tratamento com dois rem\u00e9dios de classes farmacol\u00f3gicas distintas, como a dos diur\u00e9ticos, dos antagonistas adren\u00e9rgicos, dos beta-bloqueadores, dos bloqueadores de canais de c\u00e1lcio, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma das principais causas das baixas taxas de controle da hipertens\u00e3o no mundo \u00e9 o fato de o m\u00e9dico muitas vezes insistir em usar apenas um rem\u00e9dio. Isso \u00e9 o que chamamos de in\u00e9rcia terap\u00eautica&#8221;, observa Machado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Acompanhamento e diagn\u00f3stico da hipertens\u00e3o<\/strong><br>Mas como fazer o diagn\u00f3stico de press\u00e3o elevada ou hipertens\u00e3o? Existe um momento da vida ou uma periodicidade para fazer essa medi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acima dos tr\u00eas anos de idade, a crian\u00e7a deve ter a press\u00e3o arterial aferida pelo pediatra&#8221;, responde Argenta.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Da inf\u00e2ncia at\u00e9 os 40 anos, esse exame precisa ser repetido a cada tr\u00eas anos&#8221;, complementa o cardiologista.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos 40 anos em diante, o ideal \u00e9 medir a press\u00e3o pelo menos uma vez a cada 12 meses, dizem os especialistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa regularidade \u00e9 importante porque a hipertens\u00e3o n\u00e3o costuma dar sintomas, especialmente nas fases iniciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com informa\u00e7\u00f5es de Folha de S\u00e3o Paulo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No in\u00edcio de setembro, milhares de m\u00e9dicos do mundo inteiro se reuniram em Londres, no Reino Unido, para participar do<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7773,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-7772","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7772","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7772"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":7774,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7772\/revisions\/7774"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/7773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}