{"id":3677,"date":"2023-11-19T16:20:29","date_gmt":"2023-11-19T20:20:29","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/?p=3677"},"modified":"2023-11-19T16:20:31","modified_gmt":"2023-11-19T20:20:31","slug":"consumo-de-ultraprocessados-esta-ligado-a-depressao-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/2023\/11\/19\/consumo-de-ultraprocessados-esta-ligado-a-depressao-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Consumo de ultraprocessados est\u00e1 ligado \u00e0 depress\u00e3o, diz estudo"},"content":{"rendered":"\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas \u00e9 bastante conhecida \u2013 n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que uma dieta desregrada pode levar ao surgimento de hipertens\u00e3o arterial, obesidade, diabetes, entre outros problemas de sa\u00fade. Agora, um novo estudo alerta que pessoas que consomem alimentos ultraprocessados em excesso t\u00eam um risco 82% maior de desenvolver depress\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com aquelas que se alimentam de maneira mais saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 de uma pesquisa de doutorado realizada no Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da UFV (Universidade Federal de Vi\u00e7osa), em parceria com a UFPR (Universidade Federal do Paran\u00e1). Os resultados foram publicados no <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0165032723001386\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Journal of Affective Disorders<\/a>, a revista oficial da Sociedade Internacional de Transtornos Afetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para chegar aos resultados, a nutricionista Arieta Carla Gualandi Leal, respons\u00e1vel pelo estudo, avaliou a alimenta\u00e7\u00e3o de 2.572 ex-estudantes vinculados a sete universidades mineiras por meio de um question\u00e1rio padronizado. Esses estudantes comp\u00f5em um grupo que \u00e9 acompanhado pelos pesquisadores desde 2016, a cada dois anos. Al\u00e9m de saber sobre o consumo, o question\u00e1rio avalia tamb\u00e9m se houve o desenvolvimento de alguma doen\u00e7a nesse per\u00edodo bianual.<\/p>\n\n\n\n<p>Os volunt\u00e1rios tiveram que responder a um question\u00e1rio sobre seus h\u00e1bitos di\u00e1rios de consumo de 144 tipos de alimentos, os quais foram divididos em quatro categorias: in natura; ingredientes culin\u00e1rios (como \u00f3leo, sal e a\u00e7\u00facar); alimentos processados; e, por \u00faltimo, os ultraprocessados. Os alimentos ultraprocessados incluem biscoitos recheados, bolos, macarr\u00e3o instant\u00e2neo, salgadinhos de pacote, refrescos, entre outras guloseimas.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a nutricionista, as quest\u00f5es inclu\u00edam perguntas sobre o consumo do determinado alimento, a frequ\u00eancia (di\u00e1ria, semanal, mensal ou anual) e o tamanho da por\u00e7\u00e3o (pequena, m\u00e9dia ou grande). Para auxiliar nas respostas e reduzir a possibilidade de erros, ela incluiu um \u00e1lbum fotogr\u00e1fico com 96 imagens para orientar os respondentes. Por exemplo, se a pessoa diz que come duas colheres de arroz por dia, o question\u00e1rio ilustra diferentes tipos de colheres para que ela possa especificar o tamanho da por\u00e7\u00e3o: seria equivalente a uma colher de sopa? De sobremesa? De pegar arroz?<\/p>\n\n\n\n<p>A partir dessa coleta, os dados foram tabulados e vari\u00e1veis como sexo, idade, frequ\u00eancia de atividade f\u00edsica e consumo de \u00e1lcool foram isoladas para evitar interpreta\u00e7\u00f5es erradas. Os pesquisadores dividiram os volunt\u00e1rios em grupos de consumo baixo, moderado e alto de alimentos ultraprocessados, constatando que entre aqueles que mais consumiam esse grupo de alimentos diariamente (entre 32% e 72% das calorias di\u00e1rias), o risco de desenvolver depress\u00e3o ao longo da vida era de 82%, em compara\u00e7\u00e3o com o grupo que consumia menos produtos ultraprocessados.<\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m constatou que, entre os volunt\u00e1rios que consumiam mais alimentos ultraprocessados diariamente, a incid\u00eancia de novos casos diagnosticados de depress\u00e3o era maior do que entre aqueles que se alimentavam melhor.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cEm quatro anos de estudo, observamos que a preval\u00eancia de depress\u00e3o entre os participantes aumentou 9,56%. \u00c9 um \u00edndice muito alto para um curto espa\u00e7o de tempo\u201d<\/em>, afirmou a nutricionista.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Doen\u00e7a multifatorial e neuroplasticidade<\/h2>\n\n\n\n<p>A depress\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a multifatorial \u2013 n\u00e3o h\u00e1 uma \u00fanica causa e sim um conjunto de fatores associados que levam uma pessoa a desenvolv\u00ea-la. Entre as hip\u00f3teses levantadas pela pesquisadora para justificar os achados, est\u00e3o o fato de os alimentos ultraprocessados serem pobres em vitaminas, minerais, fibras e nutrientes importantes para o funcionamento do organismo como um todo. E s\u00e3o produtos ricos em gorduras saturadas, corantes, aditivos qu\u00edmicos e outros ingredientes que fazem mal \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cGeralmente, quem consome mais esses alimentos costuma ter um estilo de vida mais corrido, menos saud\u00e1vel, com menos atividade f\u00edsica e dorme menos. S\u00e3o fatores que impactam tamb\u00e9m na sa\u00fade mental\u201d<\/em>, avalia a nutricionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Alfredo Maluf, coordenador da Psiquiatria do Hospital Israelita Albert Einstein, a ci\u00eancia j\u00e1 vem observando o impacto dos alimentos no desenvolvimento da depress\u00e3o e de outros transtornos mentais \u2013 eles parecem influenciar em fatores inflamat\u00f3rios, que podem piorar o quadro.<\/p>\n\n\n\n<p>Maluf explica que, nos pacientes com depress\u00e3o, ansiedade, transtorno bipolar ou esquizofrenia, algumas regi\u00f5es cerebrais est\u00e3o inflamadas. Essa inflama\u00e7\u00e3o diminui a neuroplasticidade do c\u00e9rebro, ou seja, a capacidade de ele se tornar mais saud\u00e1vel e funcionante. <em>\u201cIsso tem rela\u00e7\u00e3o com os neurotransmissores, que s\u00e3o como horm\u00f4nios\/subst\u00e2ncias<\/em> [serotonina e aminas] <em>que carregam as informa\u00e7\u00f5es e controlam determinadas \u00e1reas cerebrais, entre elas, o humor e a afetividade\u201d<\/em>, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Maluf, existem alimentos que t\u00eam a\u00e7\u00e3o antioxidante e, por isso, promovem naturalmente o aumento de serotonina e subst\u00e2ncias pr\u00e9-aminas circulantes no organismo. Entre eles est\u00e3o os cereais, as oleaginosas, as verduras e as prote\u00ednas (carne e peixe).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cOs alimentos mais org\u00e2nicos, mais naturais, aumentam esses extratos para termos uma produ\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias importantes para o bom desenvolvimento cerebral. Se a gente consome produtos industrializados em excesso, como esse trabalho aponta, esse alimento n\u00e3o promover\u00e1 o aumento dessas subst\u00e2ncias, pelo contr\u00e1rio. Essas conex\u00f5es ficam deficit\u00e1rias e, por isso, aumenta o risco de depress\u00e3o\u201d<\/em>, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra ressalta que o processo todo \u00e9 muito complexo e n\u00e3o basta mudar a alimenta\u00e7\u00e3o para evitar ou tratar a depress\u00e3o. <em>\u201cVoc\u00ea n\u00e3o consegue tratar a depress\u00e3o s\u00f3 com atividade f\u00edsica ou s\u00f3 com alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. S\u00e3o v\u00e1rios fatores que beneficiam e protegem a sa\u00fade: atividade f\u00edsica, alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, boa qualidade de sono\u201d<\/em>, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ajuste na alimenta\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa aponta que no topo da lista dos produtos ultraprocessados mais consumidos diariamente pelos volunt\u00e1rios est\u00e3o o chocolate, seguido dos refrigerantes, p\u00e3es de forma, cachorro-quente\/hamb\u00farguer e margarina. Todos s\u00e3o alimentos muito comuns na alimenta\u00e7\u00e3o dos brasileiros, e a nutricionista respons\u00e1vel pelo estudo ressalta que eles n\u00e3o precisam ser totalmente descartados das refei\u00e7\u00f5es \u2013 basta consumi-los de forma adequada.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201c\u00c9 importante destacar que o consumo de um alimento isolado n\u00e3o causa depress\u00e3o. \u00c9 o conjunto de alimentos e a quantidade que se come que aumenta o risco. A dica \u00e9: na hora de escolher um p\u00e3o de forma, prefira os que s\u00e3o mais pr\u00f3ximos do integral. Os r\u00f3tulos das embalagens possuem essa informa\u00e7\u00e3o. Quanto mais integral for o produto, maior a quantidade de fibras e nutrientes\u201d<\/em>, explicou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a pesquisadora, a qualidade da margarina melhorou bastante nos \u00faltimos anos, mas a manteiga ainda \u00e9 melhor para a sa\u00fade. <em>\u201cMas \u00e9 preciso ficar atento \u00e0 quantidade que passamos no p\u00e3o porque a manteiga tamb\u00e9m \u00e9 gordura e ela pode ter um impacto no perfil lip\u00eddico e no peso da pessoa\u201d<\/em>, disse. Sobre o chocolate, ela ressalta que mesmo aqueles que possuem maior concentra\u00e7\u00e3o de cacau t\u00eam bastante gordura e, por isso, o ideal \u00e9 controlar a quantidade. <em>\u201cN\u00e3o coma uma barra inteira. Se n\u00e3o conseguir deixar o chocolate de fora, consuma dois a tr\u00eas quadradinhos\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisadora, apesar de os resultados envolverem uma popula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica, eles podem servir como base para o desenvolvimento de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao incentivo da redu\u00e7\u00e3o do consumo desses alimentos e para mais controle na regula\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o desses produtos.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Fonte: Poder360<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A rela\u00e7\u00e3o entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o desenvolvimento de doen\u00e7as cr\u00f4nicas \u00e9 bastante conhecida \u2013 n\u00e3o h\u00e1<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3678,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-social"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3677","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3677"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3677\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3679,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3677\/revisions\/3679"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3678"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3677"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3677"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3677"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}