{"id":257,"date":"2023-02-19T13:59:16","date_gmt":"2023-02-19T16:59:16","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/?p=257"},"modified":"2023-02-19T13:59:21","modified_gmt":"2023-02-19T16:59:21","slug":"uso-abusivo-de-alcool-entre-brasileiras-cresce-425-em-dez-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaloalvorada.com.br\/site\/2023\/02\/19\/uso-abusivo-de-alcool-entre-brasileiras-cresce-425-em-dez-anos\/","title":{"rendered":"Uso abusivo de \u00e1lcool entre brasileiras cresce 4,25% em dez anos"},"content":{"rendered":"\n<p>A cada hora cerca de duas mulheres morreram&nbsp;em raz\u00e3o do uso nocivo de \u00e1lcool em 2020. Ao todo, 15.490 brasileiras perderam a vida por motivos atribu\u00eddos&nbsp;ao \u00e1lcool naquele ano. A faixa et\u00e1ria mais afetada&nbsp;foi a das mulheres de 55 anos e mais (70,9%), seguida por 35 a 54 anos (19,3%), 18 a 34 anos (7,3%) e de 0 a&nbsp;17 anos (2,5%). Os dados fazem parte de estudo in\u00e9dito, divulgado nesta semana pelo Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (Cisa)&nbsp;para marcar&nbsp;o&nbsp;Dia Nacional de Combate ao Alcoolismo, comemorado hoje (18).<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1511530&amp;o=node\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1511530&amp;o=node\"><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o levantamento, as principais causas desses \u00f3bitos foram doen\u00e7a card\u00edaca hipertensiva (15,5%), cirrose hep\u00e1tica (10,4%), doen\u00e7as respirat\u00f3rias inferiores (8,7%) e c\u00e2ncer colorretal (7,3%).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo abusivo de \u00e1lcool pelas brasileiras aumentou 4,25% de 2010 a&nbsp;2020. A tend\u00eancia foi registrada em 12 capitais e no Distrito Federal. Os maiores aumentos no consumo foram verificados em Curitiba (8,03%), S\u00e3o Paulo (7,34%) e Goi\u00e2nia (6,72%). O levantamento \u00e9 realizado pelo Cisa,&nbsp;com dados do Datusus 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Por consumo abusivo considera-se a ingest\u00e3o de quatro ou mais doses, para mulheres, ou de cinco ou mais doses, para homens, em um mesmo dia. O aumento mais significativo foi observado entre mulheres, passando de 7,8% em 2006 para 16% em 2020. O centro&nbsp;considera que uma dose padr\u00e3o corresponde a 14g de etanol puro no contexto brasileiro. Isso corresponde a 350 ml de cerveja (5% de \u00e1lcool), 150ml de vinho (12% de \u00e1lcool) ou 45ml de destilado (como vodca, cacha\u00e7a e tequila, com aproximadamente 40% de \u00e1lcool).<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), o consumo de \u00e1lcool pode causar mais de 200 doen\u00e7as e les\u00f5es. Est\u00e1 associado ao risco de desenvolvimento de problemas de sa\u00fade&nbsp;como dist\u00farbios mentais e comportamentais, incluindo depend\u00eancia ao \u00e1lcool, doen\u00e7as graves como cirrose hep\u00e1tica, alguns tipos de c\u00e2ncer e doen\u00e7as cardiovasculares, bem como les\u00f5es resultantes de viol\u00eancia e acidentes de tr\u00e2nsito. Em todo o mundo, 3 milh\u00f5es de mortes por ano resultam do uso nocivo do \u00e1lcool, representando 5,3% de todas as mortes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consumo abusivo<\/h2>\n\n\n\n<p>Os perigos do consumo nocivo de bebidas alco\u00f3licas afetam, de formas diferentes, homens e mulheres. Segundo a presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudos do \u00c1lcool e Outras Drogas (Abead), Alessandra Diehl, as mulheres t\u00eam predisposi\u00e7\u00e3o a&nbsp;ter&nbsp;adoecimento cl\u00ednico e ps\u00edquico mais r\u00e1pido do que os homens.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cUma das quest\u00f5es a\u00ed \u00e9 a vulnerabilidade biol\u00f3gica\u201d, disse, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>. A psiquiatra explicou que as mulheres t\u00eam menor concentra\u00e7\u00e3o de enzimas que fazem a metaboliza\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool, o que faz com que ele seja mais t\u00f3xico para o organismo feminino do que para o masculino. Segundo Alessandra, as mulheres, \u00e0s vezes, com menos tempo de uso cr\u00f4nico de \u00e1lcool que os homens, j\u00e1 apresentam mais preju\u00edzos para a sa\u00fade, como hepatite, cirrose e envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o psiquiatra e presidente do Cisa, Arthur Guerra, os efeitos do consumo de \u00e1lcool entre as mulheres tamb\u00e9m podem variar conforme o ciclo menstrual, a gesta\u00e7\u00e3o e amamenta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, elas sofrem impactos&nbsp;por fatores sociais, como a maternidade e participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cOutro ponto \u00e9 que as mulheres acabam tendo outras influ\u00eancias hormonais, como ciclo menstrual por exemplo, que acabam afetando o consumo de \u00e1lcool tamb\u00e9m. Algumas delas, durante a fase pr\u00e9-menstrual, a famosa TPM, ficam mais sens\u00edveis e v\u00e3o usar o \u00e1lcool como se fosse um rem\u00e9dio para aliviar os sintomas\u201d, explicou o m\u00e9dico.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a&nbsp;soci\u00f3loga Mariana Thibes, coordenadora do Cisa, o aumento no consumo de bebida alc\u00f3olica tem um componente cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAs mulheres est\u00e3o bebendo mais e isso \u00e9 uma mudan\u00e7a cultural importante que foi acontecendo ao longo da \u00faltima d\u00e9cada. Provavelmente tem a ver com a maior presen\u00e7a delas&nbsp;no mercado de trabalho, acho que esse \u00e9 o fator mais importante. A mulher est\u00e1 nos mesmos espa\u00e7os que os homens, ent\u00e3o ela sai para um <em>happy hour<\/em> com os colegas homens e por que ela vai consumir menos \u00e1lcool?\u201d, questionou.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Mariana, o ac\u00famulo das jornadas tamb\u00e9m \u00e9 relevante para o aumento do consumo abusivo de \u00e1lcool entre as mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO ac\u00famulo de trabalho dentro de casa, fora de casa, cuidar dos filhos, da profiss\u00e3o, do trabalho&nbsp;dom\u00e9stico. Esse aumento das press\u00f5es acaba levando muitas mulheres a procurar no \u00e1lcool uma esp\u00e9cie de recurso para relaxar. No per\u00edodo da pandemia, vimos a <em>hastag<\/em> #winemom viralizar, com muitas m\u00e3es postando fotos com ta\u00e7a de vinho no fim&nbsp;do dia, como uma esp\u00e9cie de recompensa depois daquele dia duro de ac\u00famulo de jornada. Esse estresse que as mulheres passaram a sofrer nos \u00faltimos anos tamb\u00e9m pode ajudar a explicar o aumento do consumo abusivo de \u00e1lcool\u201d, afirmou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Menores<\/h2>\n\n\n\n<p>De acordo com a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade do Escolar (PeNSE), feita&nbsp;pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) com estudantes de 13 a 17 anos, a experimenta\u00e7\u00e3o de bebida alco\u00f3lica cresceu de 52,9% em 2012 para 63,2% em 2019. O aumento, no per\u00edodo, foi mais intenso entre as meninas (de 55% para 67,4%) do que entre os meninos (de 50,4% para 58,8%).<\/p>\n\n\n\n<p>O consumo excessivo de \u00e1lcool tamb\u00e9m aumentou. Foi de 19% em 2009 para 26,2% em 2019 entre os estudantes do sexo masculino e de 20,6% para 25,5% entre as adolescentes. A experimenta\u00e7\u00e3o ou exposi\u00e7\u00e3o ao uso de drogas cresceu em uma d\u00e9cada. Foi de 8,2% em 2009 para 12,1% em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>A presidente da Abead, Alessandra Diehl, alerta que a inicia\u00e7\u00e3o no \u00e1lcool ocorre&nbsp;cada vez mais cedo, em m\u00e9dia aos&nbsp;13 anos de idade, sendo que 34,6% dos estudantes tomaram a primeira dose de \u00e1lcool com menos de 14 anos. \u201cH\u00e1 preval\u00eancia de meninas jovens iniciando o consumo de \u00e1lcool\u201d, disse.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alcoolismo<\/h2>\n\n\n\n<p>Diferentemente do abuso de \u00e1lcool, a depend\u00eancia \u00e9 considerada doen\u00e7a pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade. De acordo com a soci\u00f3loga Mariana Thibes, \u201cem geral, leva-se uma d\u00e9cada para passar do est\u00e1gio de consumo abusivo para a depend\u00eancia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse tipo de depend\u00eancia \u00e9 considerado cr\u00f4nica e multifatoria. Isso significa que diversos fatores contribuem para o seu desenvolvimento, incluindo a quantidade e frequ\u00eancia de uso do \u00e1lcool, a condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade do indiv\u00edduo e fatores gen\u00e9ticos, psicossociais e ambientais, tipicamente associados aos seguintes sintomas:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Forte desejo de beber<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Dificuldade de controlar o consumo (n\u00e3o conseguir parar de beber depois de&nbsp;ter&nbsp;come\u00e7ado)<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Uso continuado apesar das consequ\u00eancias negativas, maior prioridade dada ao uso da subst\u00e2ncia em detrimento de outras atividades e obriga\u00e7\u00f5es<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Aumento da toler\u00e2ncia (necessidade de doses maiores de \u00e1lcool para atingir o mesmo efeito obtido com doses anteriormente inferiores ou efeito cada vez menor com uma mesma dose da subst\u00e2ncia)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u2013 Por vezes, um estado de abstin\u00eancia f\u00edsica (sintomas como sudorese, tremores e ansiedade quando a pessoa est\u00e1 sem o \u00e1lcool).<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Fonte: Ag\u00eancia Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada hora cerca de duas mulheres morreram&nbsp;em raz\u00e3o do uso nocivo de \u00e1lcool em 2020. 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